domingo, 27 de março de 2011

Apaixonei-me

...e terminei numa mesa do Starbucks a chorar baba e ranho.
Ao ler a última página.




"Adeus - despediu-se a raposa. - Agora vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...

- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer."

(O Principezinho, Saint-Exúpery)

sábado, 26 de março de 2011

Sexta à tarde

Eram 18h20 quando telefono à minha amiga X:

Amiga X (vendo que se estava a aproximar a hora da aula de ginásio que tinhamos combinado e adivinhando o que estava para acontecer):
- Sim, que é que foi?

Eu:
- Olha, estava aqui a pensar...

Amiga X:
- O que é que ainda estás a fazer em casa?

Eu:
- É que estava a pensar em se calhar não ir ao Kombat... Não me está a apetecer muito.

Amiga X:
- Ah, sim? Estás ocupada, vais fazer alguma coisa?

Eu:
- Aaaah, estava aqui a olhar para o sofá e a pensar em deprimir-me um bocado por volta das 19h, sei lá!

Amiga X:
- Ah sim? Já foste ver o que é que tens na despensa?! (E desata-se a rir!)

Eu:
- És mesmo estúpida, já me puseste a rir! Só tu. Ok, espera aí que eu já vou ter contigo!

Agarro no meu saco de ginástica e saio a correr para ir ter com a minha amiga X.
Tivesse toda a gente uma amiga como a minha amiga X.

Sobre o livro que acabei de ler

Termino de ler “Comer Orar e Amar” de Elizabeth Gilbert. Depois de Gabriel Garcia Marquez, com as “Memórias das Minhas Putas Tristes” e de Luís Peixoto com “Uma Casa na Escuridão”, eis que me atirei de cabeça para um desses romances dos tops. E porquê; porque é que eu, que me recuso a comprar livros que estão nos tops, me entreguei a “Comer Orar e Amar”? Simplesmente porque achei que podia ser terapêutico e ajudar-me a ultrapassar certas adversidades com que tenho sido confrontada nos últimos tempos. Reinventar a vida depois de uma perda é sempre difícil e eu, talvez por não ter grande experiência desse tipo de andanças, não estava segura de saber faze-lo…

Devo dizer que comecei por adorar a parte de Itália: uma escrita fluida, com bastante sentido de humor, onde a autora (o romance é auto-biográfico) redescobre pequenos (grandes) prazeres da vida, como comer, aprender uma língua nova por cuja melodia se tinha apaixonado e fazer novas amizades, num país completamente novo, numa cultura completamente diferente da de Nova Iorque. Aqui surgem também as recorrentes lembranças de um passado recente e doloroso, mas que se esbatem ante um presente dedicado ao prazer mundano.

Depois a autora, ante a necessidade de se reencontrar e reconciliar com o seu “eu interior”, decide partir para a Índia, onde passa vários meses em meditação num ashram. Aqui, a autora relata-nos como foi difícil acalmar a mente, “aceitar a frustração”, aceitar que nem tudo depende do seu controlo, mas aprende a confiar na “vontade” do Universo, que é generoso. Temos o prazer de conhecer a fantástica personagem “Richard do Texas”, que surge como uma “lufada de ar fresco”, no cenário de austeridade do ashram.

Ora até aqui o livro estava a cumprir perfeitamente a sua função: ajudar-me. Grande erro comete a autora ao escrever o chamado “Livro III”, passado em Bali, onde a autora redescobre o amor, na pele de um brasileiro, blá, blá, blá… Pronto!, e é quando chego às páginas relativas a Bali que só me apetece atirar o livro pela janela fora ou transformá-lo em mil fanicos. Então é a isto que a autora chama de evolução?! Ou seja, dá a volta ao mundo e acaba por cair no mesmo erro? Eu e mais duas amigas já comentámos a situação: a parte do Bali é uma treta e transforma aquilo que podia ser um excelente livro de auto-ajuda numa chachada cor-de-rosa.

A grande conclusão do livro deveria ser:

Não temamos a solidão, já que o Universo encerra todo o poder dentro de cada um de nós. Aprendamos a gostar de nós mesmos e a termos confiança no nosso poder interior.
Aproveitemos o estado de solidão para nos conhecermos, para crescermos espiritualmente, para nos cultivarmos e para termos uma existência feliz e equilibrada.
E esqueçamos a ideia de nos ancorarmos em alguém, porque não há nada nesta vida que não mude.

Mas não! A conclusão principal do livro, embora se possam depreender outras, passa a ser: encontrei o Felipe, que de facto era muito melhor que o David. (Está explicado porque é que o Universo me pregou estas partidas todas!).

E para quem continua a sua jornada de auto-descoberta, tentando reencontrar-se a todo o custo e com os seus meios próprios, só lhe ocorre um pensamento:

Vai mas é gozar com outro.

terça-feira, 22 de março de 2011

Escalada na Serra de Sintra

Aquela tentação de roubar sempre uns quilos quando se diz o nosso peso, pode ser perigosa, senão vejamos:
Estava eu a inscrever-me para um rappel/escalada na Serra de Sintra e um dos dados que perguntavam, para efectuar a inscrição, era o peso. A pergunta que fiz, de mim para comigo, foi: "Mas que raio tens a ver com isso?" Ao dar a informação, apeteceu-me retirar uns quilinhos... Eis senão quando, me vem à cabeça uma memória já antiguinha, da última vez que fiz rappel, com os meus colegas, em Sesimbra: as cordas estavam presas a um jipe, que se localizava no cimo do penhasco. Ainda me lembro de ver o jipe a abanar por todos os lados, enquanto um dos meus companheiros de aventura descia o penedo... Ía jurar que as rodas da frente do jipe chegaram a levantar do chão... Bem, não sei, mas pelo sim pelo não, decidi dizer o meu peso exacto (menos um ou dois quilos, vá); não vá a mentira sair cara e ainda cá venho parar abaixo!

Não posso viver sem...


Beleza.
Por isso vou a um bailado no dia 9 de Abril.
Coppélia

quinta-feira, 17 de março de 2011

Bom, ok, não é tudo assim tão mau...

Artigo do Embaixador da GB ao deixar Portugal (Expresso 18 Dez 2010)

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal
Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.


1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.
2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.
3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.
4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.
5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.
6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.
7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.
8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.
9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.
10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho. Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Este país não é para mim

Mesmo, mesmo a ponto de explodir, decidi, por altura destes dias de Carnaval, recriar a minha própria versão de “Comer, Orar e Amar” de Elizabeth Gilbert, sem o amar, com pouco comer e muito meditar. Ah, e tudo dentro do nosso Portugal, pois está claro.

E foi assim que parti quatro dias, para as Termas de Monte Real. Depois de exaustiva pesquisa, a relação qualidade/preço, a proximidade de Lisboa (a verdade é que não tinha muita vontade de conduzir), a beleza natural da envolvente paisagística, mesmo propícia a uns momentos de relaxamento e reencontro comigo mesma - fizeram com que rapidamente me decidisse por este sítio.

No primeiro dia, acordei tarde, depois de uma noite inteira a sonhar que devia ir viver para o Porto… Ou seja: não começou muito bem. Já desperta, fiquei sentada na cama, pensando se deveria “dar ouvidos” ao meu sonho da noite anterior… De facto, muito tempo perco eu em viagens, entre o Porto e Lisboa, mas… quanto mais pensava na ideia de ir viver para o Porto, mais me angustiava. Acabei por decidir que o cansaço me tinha mesmo dado cabo da cabeça e por isso tinha sonhado tal coisa.

Ultrapassado o pequeno trauma, levantei-me, vesti-me e fui tranquilamente tomar o meu pequeno-almoço.

Depois saí do Hotel e constatei que o dia estava muito bonito: nem muito sol, nem muito frio ou vento. O céu estava sem nuvens, ouviam-se passarinhos a chilrear. Senti-me feliz. Apeteceu-me embrenhar pelo pequeno bosque e ir fazendo alguns dos exercícios propostos pelo Circuito de Manutenção. Constatei que estou mais perra que perra; sem força nos braços e com pouca agilidade, motivo pelo qual não consegui completar mais de metade dos exercícios. Mas ía avançando e no final do Circuito, dei de caras com um lago de forma mais ou menos circular, em torno do qual se dispunham bancos de madeira, de quando em quando. Fiquei a olhar para aquela paisagem. Maravilhosa. Inspirei fundo e senti que ganhei saúde.

Olhei em frente e vi o edifício do SPA. E nisto pensei: “falta uma hora.” Voltei ao hotel, para buscar o meu fato de banho e a minha touca e alguns momentos depois voltei ao SPA, onde umas simpáticas senhoras (terapeutas), uma música relaxante, um circuito feito à meia-luz, com aromas de limão e eucalipto, cuidaram do meu corpo e do meu espírito.

Interessante foi ver como escassos momentos de relaxamento operam maravilhas; durante este dia, encontrei dentro de mim muitas respostas que procurava.

Quando terminei o SPA (apenas com pequena pausa para almoço), já estava escuro. Deviam ser umas sete horas da tarde.

Vim ao quarto, vesti umas calças mais próprias e desci novamente, para jantar. Sozinha, com um (bom) livro na mão e um sorriso na cara, entrei no restaurante e pedi para me sentar na mesma mesa, onde me tinha sentado ao almoço. Uma mesa pequena, que apenas dava para uma ou duas pessoas, ao canto, discreta, ao lado da janela, podendo-se avistar ao longe muitas luzinhas pequeninas, de Leiria.

A decoração do restaurante era de extremo bom gosto: tons neutros, como brancos e pretos, alternavam com dourados e prateados, e motivos modernos, alternavam com peças clássicas, como castiçais dourados de muitas velas ou grandes espelhos, trabalhados, em talha prateada.

Quando me sentei, a senhora que estava a servir, acendeu a vela que se encontrava na minha mesa, dizendo: “Vem sozinha; não significa que não tenha direito…” Muito obrigada, sorri.

O jantar foi uma autêntica experiência de prazer. Primeiro, a escolha, mediante análise da Carta. Foi difícil escolher! Finalmente, lá me decidi por “Salmão em crosta de laranja e amêndoas com legumes.” Estava óptimo. Comecei a comer muito antes de introduzir qualquer garfada na boca. Os olhos também comem e a verdade é que o prato tinha uma apresentação extraordinária. Debaixo das rodelas muito finas de laranja, lá se revelava o salmão, com uma crosta crocante e debaixo do salmão, lá se revelavam os legumes (pimentos vermelhos, pimentos amarelos, feijão verde, alho francês)… Uma delícia.

Estava eu mergulhada nesta experiência de puro prazer, quando chegam duas numerosas famílias. Imediatamente, as duas famílias, que chegavam juntas, são acomodadas numa mesa circular, mais ao centro do restaurante. Absorta, continuo na minha experiência de degustação, enquanto alterno olhares entre o meu prato, as luzes lá fora, que avisto pela janela, e a pequena vela acesa à minha frente. De fundo, ouve-se baixinho uma música, apenas instrumental, que me permite relaxar. A meia-luz também convidava à paz.

(Nesta altura já deixei o meu leitor totalmente mergulhado na minha experiència gourmet, que é exactamente o meu objectivo, para que tal leitor possa sentir o mesmo que eu senti quando se passou o que a seguir descrevo.)

Eis senão quando, a alta voz, ouço:

- Olhe por favor, sabe-me dizer como está o Braga?

Aquele comentário, surgido da grande mesa circular, proferido num tom claramente mais sonoro que o exigido pela envolvente, foi assim como… (Como explicar…) uma nota de guitarra eléctrica num concerto de música clássica. É, foi isso. Mas pronto, isto passou-se e eu voltei a centrar-me no meu jantar. Mas volto a ouvir a mesma pergunta:

- Olhe por favor, sabe-me dizer como está o Braga?

Não ouvi a resposta, penso eu que terá sido pelo facto do empregado ter respondido num tom de voz mais adequado às circunstâncias.

E prossegue:

- Agora é o senhor “inginheiro” a escolher. Senhor “inginheiro” o que vai querer? Aqui o senhor “inginheiro” vai querer bacalhau com broa.

E eu jantava.

- Desculpe lá, não me sabe dizer como é que está o Braga?

Finalmente ouço o empregado, que lhe responde num tom já audível para mim:

- Está no intervalo.

Neste momento, eu, que bebia água, quase me engasguei. Tive de me conter para não me rir mais. Neste ponto, começava já a alternar a minha experiência gourmet, com a minha experiência: “Forma engraçada de confirmar que este país não é para mim.”

E continuou:

- Ora então é isso mesmo: vem o bacalhau, não é senhor “inginheiro”?; pois. Vem o bacalhau e o 2-1 para o Braga! (Que comentário tão engraçado, não haja dúvida!)

Outra pérola:

- Eu ainda vou sair por “Mont Real”.

Depois, alguém lhe deve ter dito que realmente não, ele não estava no Canadá e sim ao pé de Leiria; isto deduzo eu pelo comentário que se seguiu:

- Ai não é “Mont Real”? Olhe lá, faz favor, isto aqui é “Mont Real” ou “”Monte Real”?

Giro, giro foi o comentário que ainda me foi possível ouvir antes de me por a andar, que passo a citar literalmente:

- Estamos dez pessoas sentadas à mesa e tu és o único que tens a merda do telemóvel em cima da mesa. Guarda a merda do telemóvel, se fazes favor.

Estou de acordo. Chato, chato era o telemóvel em cima da mesa.

domingo, 17 de outubro de 2010

A todos os meus fieis leitores, que depois de cinco meses de abandono ainda por aqui passam na esperança de poder ler umas poucas linhas, comunico que durante a semana que vem, espero dedicar pelo menos uns 30 minutinhos para actualizar o blog.

Até já!

domingo, 6 de junho de 2010

Procura-se

Para arrendamento, casa na zona de Lisboa, Sintra ou Cascais que me faça esquecer a minha casa de Santiago do Cacém.

sábado, 29 de maio de 2010

Eram duas da manhã quando...

se me enche o coração.
Andava eu nos meandros do meu blog, em busca de posts perdidos, quando me deparo com um que recordava só ter dois comentários. Quando vejo, reparo que tenho três comentários. Abro para ler e descubro que o terceiro comentário é de uma amiga de há mais de quinze anos, com quem, por força das circunstâncias, tinha cortado contacto.
Devo ter ficado de boca aberta pelo menos, pelo menos, durante uns dois, três minutos, tal era o meu espanto!
A esta amiga devo alguns dos melhores momentos que passei quando tinhamos aí uns dez a doze anos. Muitas coisas se perdem entretanto, passados que estão quinze anos. Mas se há coisa que recordo é que lealdade, amizade, sinceridade e boa disposição, eram características que ela tinha. Nessa altura, dávamo-nos mesmo bem... Passámos férias juntas, em que, não tendo feito nada de extraordinário, foram momentos únicos. Íamos para a Praia Grande e para a piscina da Base Aérea de Sintra (Quinta da Granja), às vezes com mais colegas... Às vezes, passávamos dias em casa dela, no Cacém. Ela tinha montes de peluches no quarto e lembro-me de me ter oferecido alguns. Também havia sempre Belgas de Chocolate, coisa rara na minha casa. Mas claro, como "all the good things come to an end", assim, de um dia para o outro, ela foi viver com a mãe para Aveiro, e eu fiquei.
Hoje de manhã ocorreu-me clicar no link do nome dela, no comentário que me tinha deixado e descubro então que ela tem um blog. Não sei se ela terá descoberto no meu blog, uma pessoa diferente daquela que recordava... (Mudei tanto!) Certo é que, no blog dela, voltei a encontrar a pessoa apaixonante dos tempos de outrora... As pessoas mudam, é certo, mas a sua essência, aquilo que nos aproxima pela primeira vez e que nos faz gostar de alguém, essa, acredito que não muda...
Voltei a ter saudades e a querer reencontrar esta amizade.

Nostalgia sim, mas com calma

Nostalgia sim, mas com calma. Não me venham cá dizer, como ontem ouvi: "Ai que saudades dos tempos em que o pão vinha num saco de pano; hoje em dia é tudo em sacos de plástico." Vocês já sabem, que isso para mim são provocações, ou não fosse eu uma mulher da petroquímica.
O bom do saco de plástico permite também conservar o pão durante mais tempo, sem que este fique "duro que nem cornos", como nos (bons velhos) tempos do antigamente.
Ah pois!, mas disto já não se lembra o senhor, hein?

Momento de nostalgia

Vocês não sabem há quanto tempo andava eu à procura de uma referência, um episodiozinho que fosse, destes desenhos animados:

O Mofli!!! Alguém se lembra? O Mofli foi, se bem recordo, o único motivo pelo qual me levantava da cama feliz e contente aos sábados às sete e meia da manhã.

Que saudades dos tempos em que os desenhos animados eram visualmente atractivos, engraçados, tinham uma boa história por detrás e transmitiam bons valores às crianças... Enfim, bons motivos para acordar cedo ao fim-de-semana.

Se alguém souber como se podem arranjar episódios desta série, eu agradeço (lovely.ritocas@gmail.com), mas só vale a pena se estiverem dobrados em português - que é como eu os recordo.

Para já, deixo aqui um episódio único que pude encontrar no youtube:


terça-feira, 18 de maio de 2010

Quando voltei a Madrid

Cheguei a Madrid bastante cansada. Tinha o meu carro no Parque de Estacionamento de Atocha e foi para lá que me dirigi sem hesitar. Abri a bagageira e coloquei a tralha toda lá dentro. Fechei a bagageira e voltei a trancar o carro. Fui então à procura de uma máquina onde pudesse pagar o Parque. Procurava a máquina, de ticket na mão, olhando ao redor, quando paro o olhar em alguém. Imobilizo-me. E depois decido caminhar até ao local:

- Perdón, necesita algo? – Um velhote, de casaco de fato amarrotado, calças velhas e sapatos coçados, revolvia o lixo de um caixote, distraidamente. Tinha-o visto abrir guardanapos usados, e sem encontrar nada, voltava a deitá-los no caixote e a revolver o lixo com as mãos.

Quando lhe faço a pergunta, o velhote percebe que há alguém a observá-lo e de um salto, vira-se de frente para mim e esconde as mãos com um guardanapo sujo atrás das costas, envergonhado, como uma criança que foi apanhada em flagrante a fazer asneiras. Responde-me:

- NA-DA, hija. – enquanto agita os ombros, mantendo as mãos atrás das costas. Quando me fala, fa-lo com um tom de voz que não denota nenhum tipo de insegurança e por isso seria levada a acreditar nele, se não tivesse visto o que vi. Sei que, de alguma forma, estou a mexer no seu orgulho próprio… Mas o homem tem fome. Que se lixe.

Abro a carteira e saco a primeira nota que tenho à mão. Vinte euros.

- Tomese, usted.

Estende a mão. Passo-lhe a nota. Não a agarra:

- No me des tanto. -, diz-me. (Não posso acreditar no que acabo de ouvir…)

- No, tomese usted. Para que coma. – Tento ser afável, embora saiba que normalmente tenho pouco jeito para o ser e que às vezes, pareço uma bota da tropa, quando a intenção é exactamente a contrária, mas enfim: tento dar o meu melhor.

Murmura “gracias”, vira costas e vai-se embora.

Enquanto caminho em direcção ao sítio onde posso pagar o Parque, tenho dúvidas se terei sido enganada pelo homem… Então peço a Deus um sinal de que fiz bem em ajudar o homem, se realmente assim tiver sido. O Parqueamento custa xx€85. Na carteira tenho três notas que perfazem o xx. No porta-moedas tenho um monte de moedas pequenas. Despejo o porta-moedas para a mão, sem fazer ideia de quanto posso ter e quando as vou contar – tudo moedinhas pretas – tenho exactamente 80 cêntimos, que entrego à pessoa que me está a cobrar. Faltam 5 cêntimos. Volto então a olhar para a mão para onde despejei a carteira, e vejo aí uma última moeda: 5 cêntimos.

domingo, 16 de maio de 2010

Retrato de (algumas) mulheres portuguesas

Terminado que está o meu tempo de fábrica, ontem lá fui à manicure, numa tentativa de enganar alguns e parecer requintada (cof!cof!).
Enquanto espero a minha vez, tenho ao lado outra senhora que entretanto vai começando a sua manicure, deixando escapar o seguinte comentário:
- Elas devem estar com um bocado de terra, porque estive de manhã na horta a plantar batatas e não consegui tirar a terra das unhas!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Parabéns, Filipa!

Filipa:
Tentei contactar-te, mas não consegui! Só para desejar um feliz aniversário, aí onde tu estiveres... Lembra-te que, mesmo longe, estás sempre nos nossos corações.
Um beijão grande, Justificar completamente
Rita

terça-feira, 11 de maio de 2010

Porque não?

Ontem cheguei a Barcelona eram quase dez da noite. Fui ao restaurante do Hotel e vi a lista. Queria comer peixe. Havia um na lista que se chamava Rape. Não fazia a mínima ideia do que se tratava. Quando veio para a mesa, continuei a não fazer ideia do que tinha à frente como jantar. Olhei com desconfiança, meti o garfo a medo e provei. Gostei. Vinha acompanhado de espargos. Também nunca tinha comido espargos, sempre me tinham dito que eram super amargos, por isso nem sequer tinha tido a curiosidade de provar... Mas ontem pensei : Porque não? e comi.
Como sobremesa, escolhi um Flan de Mantó, sem saber o que ía comer...
Hoje voltei e pedi outra vez espargos e Flan de Mantó. E descobri que o Rape é tamboril. Porque afinal, o mundo contado pelos outros é sempre diferente daquilo que percepcionamos por nós mesmos. Cada vez tenho menos preconceitos. Primeiro vamos ver como é e depois logo falamos.
E o jantar estava bom.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Vem comigo viver uma aventura...

Very funny...não haja dúvida!
Estou eu às 7h da manhã no aeroporto, pronta para fazer o check-in do voo das 9h para Barcelona, quando, por causa da nuvem de cinzas, anunciam que este voo será um dos muitos que está em risco de não acontecer... Pensa rápido, pensa rápido, Rita... Ligo à minha chefe, que me diz que no pasa nada, mas que é mesmo importante que esta noite durma em Barcelona, porque amanhã começamos cedo. Ok, vou já tratar disso, penso. Primeiro faço um convite ao meu namorado: Apetece-te viver uma aventura hoje? E tudo se coaduna para dar certo! O plano é: ir de carro até Madrid e depois seguir no comboio de alta velocidade até Barcelona. Por acaso, os orientadores de tese dele estão em Madrid estes dois dias também, pelo que, se ficar em Madrid, poderá ir assistir à conferência que estão a dar sobre o trabalho em que colabora. Porreiro.
Mais tarde, falo com a Maggie, que está em Lisboa e tinha voo às 10h para Madrid... Pues va a ser qué no! - o voo dela também foi cancelado.
E foi assim que acabámos os três no meu carro, rumo a Madrid a recordar as antigas viagens que fazíamos para Madrid a bordo do boguinhas da Maggie; a comer uma sopa e um croquete ali ao pé de Badajoz; a falar dos planos para o futuro e da vida e a rir, felizes e contentes, que isto mais vale bem acompanhado do que sózinho.

sábado, 8 de maio de 2010

Acabo de decidir...

Vou comprar um painel de cortiça, daqueles que os putos costumam ter no quarto e vou enche-lo de pioneses com fotografias dos momentos em que fui mais feliz. Mas só daqueles em que fui mesmo, mesmo muito feliz!
(Pena que nao tenha fotos daquele momento em que torci um pé quando soube que tinha tido a segunda melhor nota do curso a Análise Matemática I, nem daquele em que soube que ía ter outro irmao, ou daquele em que soube que tinha tido 18,2 a Fenómenos de Transferência I, nem daquele jantar em que conheci o meu namorado, nem daquele em que tomei o pequeno-almoço em pijama com a minha prima no telhado do prédio do meu avô ou do outro quando a minha prima lavava os pés com a água do autoclismo da sanita e eu me partir a rir... Bom, mas tenho outros!)

De volta a casa

Passaram cinco anos.
Chego a casa. Sei que nao está ninguém. Os pais sairam, o irmao mais novo, que entretanto cresceu, foi a um concerto no Tivoli. O irmao do meio já nao vive aqui e a Wendy, a cadelinha que dava pulos e abanava o rabo cada vez que me via chegar, já morreu. Estaciono o carro junto ao portao e desligo-o. Suspiro. Deixo-me estar, assim, ao volante, por mais algum tempo. Abandono-me ao cansaço, descontraio os ombros e recosto-me ligeiramente no banco do carro. Deixo-me ficar assim por algum tempo. Decido voltar a enfiar a chave na igniçao e ligar o rádio. Nao me apetece especialmente ouvir música, mas apetece-me ligar o rádio. Passei um ano e meio sem rádio no carro (funcionava com duas cacetadas, mas bastava uma lomba para deixar de funcionar novamente), por isso poder acender o rádio e ouvir música, parece-me um luxo ao qual é dificil resistir. Mas nao me apetece realmente ouvir música nenhuma. Tenho música no coraçao e essa nao dá para sintonizar, nem na FM nem na AM. Volto a desligar o carro, tiro a chave da igniçao e saio. Passo o portao. Quando chego à porta, encontro um saco, pendurado no batente. Pao de Mafra. Foi o avô que por aqui passou, penso, com um sorriso. Desprendo o saco e levo-o. Entro em casa. Nao está ninguém. Pouso a mala e as chaves. Vou à cozinha e pego numa caneca. Encho-a de leite e ponho a aquecer no microondas. Parto duas fatias do pao e espalho manteiga.
De volta a casa. À minha casa. Depois de cinco anos. De onde saí ainda menina. E volto mulher.
Esta noite, talvez já nao acorde sobressaltada, com medo que alguém esteja a entrar em casa. Esta noite, já nao como sopa, quase fria, num prato solitário ao som do silêncio que nao desejei ouvir. Eles sairam todos agora, é verdade. E estou sózinha. Mas esta noite, eles voltam. E vamo-nos sentar todos juntos, à mesa, outra vez. E o pai vai olhar-me de soslaio, pensando que eu nao noto, de peito cheio de orgulho e pensar que afinal, ao contrário do que ele tantas vezes pensa, sempre fez alguma coisa de jeito. (Fez tantas! Mas nao há meio de se enxergar, o pai). A mae vai poder armar-se em tia, como tanto gosta, e dizer às amigas que a filha é uma executiva de sucesso. E o irmao, teenager inconsequente (como também cheguei um dia a ser apelidada), vai olhar para a irma e pensar que se calhar vale a pena estudar e dar o melhor de si, em tudo. Mesmo que isso, por vezes, custe sangue, suor e lágrimas. E eu; eu, bem… Esta noite, talvez durma feliz. E quando acordar a meio da noite, se acordar, talvez pense que estou a viver um sonho. Talvez pense que afinal nao passaram cinco anos; que afinal nunca estive em Lyon, nem em Madrid, nem em Sines, nem em Santiago do Cacém… Talvez pense que afinal nao sou a mulher que sou, que nao consegui o que consegui, que nao vivi o que vivi; que afinal era mesmo verdade que tinha de escolher entre a minha carreira e a minha vida pessoal, que nunca poderia ter as duas…
Quando acordar a meio da noite, se realmente acordar, talvez nao acredite que fui abençoada por Deus com tudo aquilo que pedi.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A minha estreia como Executiva

Portátil nas maos, sentada junto à porta de embarque, esperando o aviao que me levará de volta a Lisboa.
Mas passo despercebida... Estou de ténis, calças de ganga e camisa da Pull & Bear. "Saloia!" - diriam os meus amigos de Sines, ao que eu responderia, com o habitual, "Com muito gosto!", já que ser de Sintra é das coisas das quais mais me orgulho!!!
Mas enfim... Esta semana ainda nao houve que vestir o fato. Para a semana é que já começa a fiar mais fino...